Servidor conhecia vítima; desavença por dívida não é descartada

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O servidor municipal Carlos Eduardo Silva Bello Ribeiro, que confessou ter matado o jovem Gabriel Carrijo Gonçalves na quarta-feira (2) em Cuiabá, admitiu em depoimento à Polícia que conhecia a vítima.

 

A informação foi dada em depoimento ao delegado Anderson Veiga, da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o crime.

 

Segundo Carlos Eduardo, a vítima e ele se conheciam “de vista” por morarem em bairros próximos, mas não eram amigos e nem mantinham contato. Ele ainda afirmou que a última vez que viu Gabriel foi em 2020.

 

O servidor, que trabalha no Centro de Especialidades Médicas da Prefeitura de Cuiabá, foi preso nesta quarta-feira (2), após confessar seu envolvimento no homicídio do jovem, que foi morto a facadas na praça no Bairro Recanto dos Pássaros.

 

O crime foi filmado por uma câmera de segurança e desde da ocasião a Polícia Civil investiga o que motivou o crime.

 

Na delegacia, Carlos apresentou a versão de legítima defesa a uma tentativa de roubo. No entanto, o delegado afirmou ao MidiaNews que não descarta outras versões que estão sendo levantadas sobre o crime, inclusive a de discussão por drogas.

 

“Tanto a versão de legítima defesa em relação a uma tentativa de roubo quanto outras versões que estão sendo levantadas, como, por exemplo, dívidas de drogas, desavença pessoal, também estão sendo consideradas”, disse.

Tanto a versão de legítima defesa em relação a uma tentativa de roubo quanto outras versões que estão sendo levantadas, como, por exemplo, dívidas de drogas, desavença pessoal, também estão sendo consideradas

 

Após o crime, prints de uma suposta conversa entre Carlos e Gabriel começaram a rodar na internet. Nas mensagens, o jovem estaria cobrando o servidor para pagar uma dívida de droga e chega a marcar um encontro com o acusado.

 

Sobre esta versão, Veiga afirma que a Polícia não teve acesso ao celular nem de Gabriel e nem de Carlos para poder comprovar se as mensagens são verdadeiras. Porém, o delegado confirmou que a vítima tinha antecedentes criminais por tráfico de drogas, já o servidor tinha a ficha limpa.

 

“Nada é concreto. Realmente essa versão (dívida por crime) existe, esse burburinho, mas em um evento como esse é comum várias versões surgirem e essas linhas de investigação serão apuradas, descartadas, até se chegar à verdade”, explica.

 

Agora a Polícia Civil se prepara para ouvir outras testemunhas que poderão colaborar para o esclarecimento do crime.

 

Depoimento de Carlos

 

O delegado relatou à reportagem o que Carlos disse durante seu depoimento. Em uma ordem cronológica, o servidor narrou sua versão dos fatos e alegou que Gabriel havia tentado assaltá-lo.

 

Ele relatou que saiu de casa por volta das 7h com sua motocicleta e se dirigiu até a praça. A intenção, segundo ele, era fumar um cigarro de maconha no local.

 

Assim que terminou o primeiro cigarro, Carlos conta que foi surpreendido pela chegada de Gabriel. Ele disse que a vítima também chegou de moto e parou de forma brusca próximo de onde ele estava.

 

Ainda em seu depoimento, ele disse que o jovem sentou ao seu lado no banco e eles mantiveram uma breve conversa, que não chegou a ser detalhada. Em seguida, Gabriel teria levantado a camisa e exposto uma faca em sua cintura.

 

Na versão do servidor, a vítima sacou a faca e chegou a encostar o objeto em Carlos, pedindo que ele entregasse a carteira e o celular. Neste momento, o acusado reagiu e tentou puxar a faca pela lâmina.

 

Ambos começaram a lutar, como é visto pela câmera, e em certo momento, quando a arma cai no chão, o servidor afirma que tomou o objeto e desferiu um golpe fatal no pescoço de Gabriel.

 

O jovem agonizou e morreu na frente de Carlos e, na sequência, o acusado relata que arrastou o corpo até uma área de mata, onde abandonou o cadáver.

 

No momento que iria embora, o servidor notou que havia testemunhas no local e disse “estou indo na polícia registrar um B.O, porque tentaram me roubar”.

 

O delegado afirma que este último relato foi confirmado pelas testemunhas, que trabalhavam em uma empresa próxima à praça. Depois disso, Carlos foi embora, mas não chegou a se entregar na delegacia.

Fonte: Mídia News

 

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